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Conselho da Mulher Empresária do Pará reúne empresárias de Marabá neste sábado para formar entidade local

Acontece neste sábado, dia 24, no auditório da Associação Comercial e Industrial de Marabá (Acim), a partir das 8 horas, reunião das mulheres empresárias da cidade a fim de tomarem conhecimento das diretrizes que vão nortear a criação do Conselho da Mulher Empresária de Marabá. O encontro será coordenado pela presidente do Conselho da Mulher Empresária (CME) da Associação Comercial do Pará, Andréa Castro de Noronha, que também é vice-presidente Norte do Conselho Nacional da Mulher Empresária.

Participam ainda da reunião, a psicóloga Rebeca Barbosa Lucas, diretora do Conselho, Cristina Lorenzoni, empresária de Marabá, e Maria Deolinda Machado, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Elas concederam entrevista ao Zeca News e na oportunidade a aproveitaram para solicitar que as empresárias marabaenses não deixem de comparecer.

Andréa Noronha diz que, antes de tudo, a reunião deve ser uma troca de experiências, pois vem a Marabá ouvir as demandas da mulher empresária local e trazer um pouco de conhecimento sobre o contexto da formação de um conselho.

“Vamos falar sobre a importância da cooperação e da cultura do associativismo que vai melhorar, principalmente, a qualidade de vida das mulheres de Marabá e também ajudá-las bastante com relação ao crescimento dos seus empreendimentos”, definiu ela.

A presidente do CME diz que é preciso consolidar o Conselho no Estado, por isso está vindo prestar todo o apoio para que essas empreendedoras locais se associem e tenham um direcionamento. “Em cada cidade temos um núcleo. E a união deles faz o estadual. Cada conselho tem de ir atrás das políticas públicas do seu município, interagir com a prefeitura e procurar coletar informações para que essas políticas possam ser direcionadas para o bem estar da mulher”.

Lembrada de que indicador recente apontou Marabá como a pior cidade para as mulheres, Andrea, disse que essa é uma preocupação muito grande, principalmente com relação à saúde, pois, enquanto no resto do País o índice de longevidade das mulheres é de 75 anos, aqui baixou para 69 anos. “E o que acontece? Alguma coisa deixou de se feita, com relação ao atendimento da saúde, manutenção de exames, principalmente preventivos. Enfim, tudo o que diz respeito à saúde da mulher”, observa, lembrando que “talvez a política pública tenha de ser revista e acompanhada de perto. Isso também faz parte de uma ação do Conselho da Mulher”.

Outro índice também negativo, este citado por Andrea, é em relação à violência. “Aqui também tem muita violência com relação ao tratamento das mulheres, temos de verificar quantas delegacias há, qual a política que está sendo feita pelo governo, pela prefeitura, para a proteção das mulheres. E interessante que o conselho tenha uma cadeira, uma participação, por exemplo, numa delegacia. Eu acho que, enquanto cidadãos que pagamos os nossos impostos, temos direito a esses benefícios”.

Como presidente do CME do Pará e vice do nacional, Andrea Noronha diz que seu trabalho é vir a Marabá trazer as diretrizes para que as mulheres empresárias façam um planejamento estratégico para atuar em relação às demandas do municio. “E daí elas, depois de construírem o conselho – e a nossa empresária Cristina Lorenzoni deve conduzir isso muito fortemente – e unidas, com certeza vão conseguir mudar essa realidade. A proposta é essa, trazer informações, diretrizes, para que elas possam iniciar esse movimento”.

Para ela, o trabalho é de monitorar, mobilizar as mulheres, pedir que sejam realizadas as políticas públicas, levar as demandas, mostrar como está difícil a vida.

“As estatísticas comprovam e têm de ser levadas a sério, é uma realidade que não cai bem para o município, enquanto o mundo todo está num movimento de empoderamento e valorização da mulher, até porque hoje as mulheres têm uma participação, principalmente na economia, de mais de 50%. Nós hoje já fazemos uma diferença muito grande somos provedoras, ajudamos os homens a manter a casa, então não estamos pedindo nada mais do que temos direito”, enfatiza.

Acerca da participação das mulheres na política, Andrea Noronha lembra hoje é muito pequena, em torno de 13%, bastante tímida, “A gente precisa se conscientizar disso, também vamos conversar com elas, a respeito da participação crescente delas na política. Nós ainda temos espaço e temos direito a isso. Então, eu acredito que nas próximas eleições esse número já suba para em 20%, 30%. Mas, o que a gente quer é o mundo, na realidade, segundo a ONU é 50%, a metade, nem mais nem menos. Assim fica em pé de igualdade”.

Indagada sobre a participação do Conselho da Mulher Empresária na vida das mulheres carentes, da periferia, Rebeca Lucas diz que isso é uma preocupação do CME quando faz um projeto de municipalização, a respeito de como vão amparar essas mulheres.

“Temos, em Belém, muitas ações voltadas a instituições públicas, às funcionárias das empresárias, para que a gente possa receber essas pessoas com palestras, orientações, atividades, não só na nossa sede, como vamos a muitas instituições ligadas à área de saúde, do mercado de trabalho”, detalha Rebeca.

Segundo ela, é óbvio que o CME precisa de uma base forte e as empresárias vão ter uma voz nas instituições públicas. “Mas, não podemos esquecer de que essas empresárias têm uma retaguarda. Então, temos também propostas para abraçar essas mulheres carentes com toda a certeza”.

A respeito da diferença salarial que ainda existe entre homens e mulheres, Rebeca Lucas é de opinião que esse é um desafio e lembra que às vezes as mulheres têm cargos parecidos com os dos homens, mas o salário ainda é menor e indaga: “Será que nós também estamos fazendo o nosso devido papel? Às vezes a gente culpa muito a sociedade, a cultura, o empresariado, mas, será que de fato estamos fazendo o nosso papel para merecermos essa igualdade?”.

Para a empresária Cristina Lorenzoni, será uma honra receber as mulheres empresárias na Acim, para conhecerem as propostas, conhecerem de fato como o conselho funciona e todas possam assumir, com responsabilidade, compromisso verdadeiro e perseverança. “A fim de avançarmos em todos os trabalhos voltados para a melhoria das mulheres em relação a trabalho, qualidade de vida, crescimento profissional. E só conseguiremos fazer isso com a participação de todas”, conclui.