Na última semana, o encontro do prefeito de Marabá, Toni Cunha, com o ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana, na Unisfesspa — ocasião em que foi anunciado o curso de medicina na instituição — trouxe à tona uma questão que há tempo aflige a saúde pública do Pará: a necessidade de os hospitais regionais do estado abrirem suas portas para o atendimento integral, inclusive no pronto-socorro.
A realidade atual é insustentável. Municípios polo como Marabá, Santarém e outros carregam sozinhos o peso de atender a demanda de toda uma região. Os serviços de saúde nessas cidades estão sobrecarregados, com filas, falta de leitos e profissionais exaustos, enquanto os hospitais regionais, que deveriam ser pontos de apoio estratégicos, permanecem com suas portas fechadas para o atendimento de urgência e emergência. Essa distribuição desigual de responsabilidades gera um gargalo que prejudica diretamente a população, que muitas vezes precisa percorrer longas distâncias para receber atendimento básico ou especializado, enfrentando riscos à saúde e até mesmo a vida.
A experiência do Ceará, compartilhada por Camilo Santana, mostra que há um caminho viável. No estado nordestino, todos os hospitais regionais funcionam de portas abertas, oferecendo também atendimento no pronto-socorro. Essa estrutura permite uma distribuição mais equilibrada da demanda, garante acesso mais rápido à saúde para a população de diferentes regiões e alivia a pressão sobre os municípios que concentram os principais serviços. É um modelo que deu certo e que serve de exemplo para o Pará, que enfrenta desafios semelhantes em termos de dimensão territorial e distribuição populacional.
Para Toni Cunha, a adoção desse modelo no Pará — especialmente na região Sul e Sudeste — seria fundamental para diminuir os problemas de saúde nos municípios do estado. O gestor não hesitou em usar as redes sociais para defender a ideia, transformando a informação obtida no encontro em uma proposta concreta e necessária. Afinal, a saúde é um direito fundamental garantido pela Constituição, e cabe ao poder público garantir que esse direito seja acessível a todos, independentemente de onde moram.
A demanda por atendimento de saúde no Pará é grande e crescente, e não dá mais para adiar soluções. Abrir as portas dos hospitais regionais não é apenas uma “dica”, mas uma medida urgente e indispensável. É hora de o estado do Pará olhar para o exemplo do Ceará, investir na estruturação e no funcionamento pleno dos seus hospitais regionais e garantir que a carga do atendimento não fique mais apenas nos ombros dos municípios polo. A população merece um sistema de saúde mais eficiente, mais acessível e mais justo — e abrir as portas dos hospitais regionais é o primeiro passo para construir esse futuro.


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