Seagri reuniu produtores locais e regionais na sede da secretaria, com foco em capacitação, regularização e incentivo econômico ao homem do campo
A Prefeitura de Marabá, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri), realizou nesta quarta-feira, 24, o II Encontro de Apicultores e Meliponicultores do Município. O evento, sediado na própria secretaria, funcionou como um espaço estratégico para a troca de conhecimentos, fortalecimento da cadeia produtiva e incentivo à atividade na região. A programação contou com palestras técnicas, oficinas práticas e a Feira do Mel, estendendo-se até o final da tarde com a participação de cerca de 160 produtores locais, além de comitivas e especialistas de municípios vizinhos.
Ao longo do dia, os participantes debateram temas essenciais para o desenvolvimento do setor, como o manejo geral das colmeias, os benefícios da criação de abelhas, a polinização de culturas e orientações técnicas específicas. O encontro também contou com a parceria da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), que atuou diretamente no local realizando cadastros de produtores e oferecendo orientações sobre abertura de processos cadastrais, facilitando a regularização sanitária e o acesso a políticas públicas.
O grande destaque do evento foi o anúncio do fortalecimento do projeto de fomento à apicultura. Segundo o prefeito de Marabá, Toni Cunha, a gestão municipal está direcionando esforços significativos para garantir a infraestrutura necessária para que o pequeno produtor prospere.


“Isso aqui é uma felicidade muito grande. São 700 kits, cada um custando em torno de 14 mil reais, que vão possibilitar a produção de mel e conferir uma renda substancial para os apicultores e agricultores. É um kit completo, com roupa, fumegador, cera e tudo o que as abelhas precisam para se reproduzir e produzir. É a prefeitura dando condições para o homem e a mulher do campo gerarem emprego e renda”, destacou o prefeito.
O secretário de Agricultura, Marcone Leite, detalhou o funcionamento do projeto, que selecionou 160 produtores assistidos nesta etapa, com um investimento inicial que ultrapassa os 600 mil reais.


“Nós entregamos a colmeia com as abelhas, a caixa e os equipamentos necessários. O mel é um produto de alto valor agregado, que não demanda tanto esforço físico e garante um acréscimo importante na renda da propriedade agrícola. Por ordem do prefeito, fizemos várias visitas técnicas e fomos ao encontro dos produtores. Hoje, iniciamos o curso de capacitação e a entrega desses kits para que eles possam começar a produzir de imediato”, explicou o secretário.
O médico veterinário e técnico em apicultura da Seagri, Erick Henrique Teixeira, enfatizou que o projeto visa desmistificar a ideia de que a economia rural do município depende exclusivamente da pecuária.


“Trouxemos o evento para agregar valor e trazer informação, mostrando que o produtor não precisa viver só de gado. Existem outras atividades economicamente viáveis. Nosso foco são as 160 pessoas que a secretaria já atende, mas também convidamos produtores de fora. Trouxemos o pessoal de Breu Branco, que já é referência no setor e vive disso, produzindo inclusive derivados como shampoo e condicionador à base de mel”, relatou Erick.
Para o presidente da Associação dos Apicultores e Meliponicultores do Sul e Sudeste do Pará (Apimespa), Mateus Lima, a união da categoria é fundamental para dar visibilidade ao setor.


“Esses eventos trazem mais networking, união e conhecimento para os criadores. A criação de abelhas é uma atividade surpreendente que precisa de mais reconhecimento, pois ela é vital tanto no aspecto ambiental quanto no social e econômico”, pontuou.
Mesmo para quem já tem estrada na área, o encontro se provou indispensável. Sávio Coelho, técnico em agropecuária e produtor que trabalha há cinco anos com meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) no Campus Rural do IFPA em Marabá, elogiou a iniciativa.


“A cada encontro desse a gente sempre aprende um pouco mais e discute novas técnicas. Essa troca de experiências fortalece muito a nossa região”, afirmou.
O impacto social do projeto também reflete na mudança de perspectiva de novos produtores, como é o caso de Renata Celina, moradora do Projeto de Assentamento (PA) Boa Esperança. Acostumada com a lida do gado, ela encontrou no mel um novo caminho.


“Eu nunca tinha passado por essa experiência, meu negócio era mexer com gado. Quando cheguei aqui, tive esse contato com o mel e está sendo ótimo. Aprendi muita coisa em pouco tempo e perdi o medo. Com o manejo certinho, agora estamos no rumo da apicultura. O apoio que a equipe da Secretaria de Agricultura dá para a gente é muito grande e tem sido excelente”, concluiu a produtora.

















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