Iniciativa reuniu mães e familiares para momentos de escuta, orientação jurídica e apoio psicossocial, com participação da rede municipal de atendimento

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) promoveu, na manhã desta terça-feira, 20, o encontro “Mães que choram e lutam por Justiça”, no auditório das Promotorias de Justiça de Marabá, no núcleo Cidade Nova. A iniciativa reuniu familiares de vítimas de homicídio, feminicídio e outros casos de violência, com o objetivo de oferecer acolhimento, orientação e informações sobre o andamento dos processos judiciais. Cerca de 50 familiares foram convidados para participar da programação.

O encontro contou com uma roda de conversa conduzida por representantes do Ministério Público, psicólogas e integrantes da rede de proteção e atendimento às mulheres. Entre as participantes estavam a presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Pará (AMPEP), promotora Ana Maria Magalhães, e a titular da 5ª Promotoria de Justiça Criminal de Marabá, Cristine Magela.

A proposta surgiu da necessidade de aproximar o Ministério Público das famílias que enfrentam a perda de entes queridos em circunstâncias violentas e, muitas vezes, desconhecem seus direitos ou não sabem onde buscar informações sobre os processos.

Segundo a promotora Ana Maria Magalhães, a iniciativa foi inspirada na experiência de grupos de mães de vítimas de violência em Belém, onde identificou dificuldades no acesso às informações judiciais.

“Percebi que muitas mães não sabiam a qual órgão recorrer para acompanhar os processos. Algumas sequer sabiam se existia um processo. Entendemos que o Ministério Público precisava se aproximar dessas famílias, acolhê-las e mostrar que elas têm onde buscar informações e orientação”, explicou a promotora.

Durante a programação, foram distribuídos cartões com contatos institucionais para facilitar o acesso dos familiares às informações sobre o andamento dos procedimentos.

De acordo com a promotora Cristine Magela, o encontro representa o primeiro passo para identificar as principais necessidades das famílias e ampliar as possibilidades de atendimento.

“É um momento de escuta e acolhimento. Queremos que essas famílias compreendam o papel do Ministério Público e conheçam seus direitos. A partir dessa aproximação, poderemos avaliar as demandas apresentadas e os próximos encaminhamentos, tanto na esfera judicial quanto no acolhimento dessas pessoas”, destacou.

Rede municipal de apoio

A Prefeitura de Marabá participou da iniciativa por meio de representantes da rede municipal de atendimento, reforçando a importância da atuação conjunta entre as instituições no acompanhamento de famílias afetadas pela violência.

A primeira-dama e psicóloga Lanúzia Cunha destacou a necessidade de políticas públicas voltadas ao cuidado emocional e à garantia dos direitos das mães que enfrentam o luto pela perda violenta de filhos.

“Uma mãe ter que lidar com a perda de um filho ou de uma filha de maneira brutal é uma dor cuja dimensão só quem passa consegue compreender. Enquanto poder público, precisamos oferecer suporte na saúde, no enfrentamento do luto e na garantia dos direitos dessas famílias. Esse é um compromisso da Prefeitura de Marabá”, afirmou.

A secretária municipal de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac), Mônica Thompson, ressaltou que os equipamentos da assistência social estão disponíveis para atender e encaminhar as famílias que necessitam de acompanhamento.

“É uma iniciativa muito importante do Ministério Público, que proporciona acolhimento a mães, pais e familiares em um momento de tanta dor. Nossos equipamentos estão de portas abertas para receber, atender e encaminhar essas famílias conforme suas necessidades”, enfatizou.

Histórias de dor e busca por justiça

Entre as participantes estava a professora Maria Lúcia Gonçalves, que perdeu o filho, vítima de assassinato, há seis anos. Desde então, enfrentou uma longa trajetória de mobilização e cobranças por justiça, até a realização do julgamento, em abril deste ano.

“Foram seis anos de luta. Fizemos passeatas, protestos e buscamos justiça o tempo todo. Meu filho não voltaria mais, mas eu precisava ver uma resposta. Só consegui ficar mais tranquila depois que houve o julgamento”, relatou.

Maria Lúcia também destacou a importância do apoio recebido durante esse período e da aproximação entre as instituições e as famílias.

Outra participante, a dona de casa Maria Sebastiana Porto, enfrenta uma perda ainda recente. Sua filha foi assassinada há cerca de um mês. Para ela, o encontro representa um espaço de apoio em meio ao sofrimento e à espera por justiça.

“Esse evento do Ministério Público é muito bom. Só tenho a agradecer pelo acolhimento e pelo apoio da Prefeitura também. Espero que a justiça seja feita e que os responsáveis permaneçam presos, para que outras mulheres não passem por isso”, declarou.

Além de proporcionar um espaço para compartilhar experiências, o encontro buscou identificar dificuldades enfrentadas pelos familiares e fortalecer o diálogo entre o Ministério Público e a rede de proteção. A expectativa é que as demandas apresentadas contribuam para a definição de novos encaminhamentos e ações de acolhimento.

Canais de atendimento e apoio em Marabá

Familiares de vítimas de violência podem buscar informações, orientação e encaminhamentos por meio dos seguintes canais:

Promotorias de Justiça de Marabá: Rua das Flores, s/nº (esquina com a Rodovia Transamazônica), Agrópolis do Incra/Amapá. Telefone: (94) 3312-9900.
Plantão das Promotorias: (94) 98802-7393.
Coordenação do Polo Sudeste I (WhatsApp): (94) 98804-1314.
E-mail institucional: mpmaraba@mppa.mp.br.
Defensoria Pública do Estado do Pará: atendimento jurídico e psicossocial por meio do Nugen. WhatsApp: (91) 98411-8009.
Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher (CEPPM): Endereço: Rua Sol Poente, nº 2348 – Cidade Nova
Telefone: 94 98401-2022 (ligação e WhatsApp)
Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram): Endereço: Rua Sol Poente, nº 2348 – Cidade Nova – Telefone: 94 98401-2022 (ligação e WhatsApp)
Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher (Comdim): Endereço: Folha 32, Quadra 18, Lote 07 – Nova Marabá (ao lado da Clínica Climestra Medicina do Trabalho)
Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Carajás: Endereço: Av. Espírito Santo, nº 285 – bairro Amapá (em frente ao Parapaz e Deam) – Telefone: 94 3324-1090.
Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Nova Marabá: Endereço: Folha 30, Quadra 01, Lote 40 (em frente à Delegacia de Polícia Civil) – Nova Marabá
Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Nova Marabá: Endereço: Folha 13, Quadra Especial, Lote 16 – Nova Marabá (ao lado do Colégio CMRIO)
Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Marabela: Endereço: Travessa Augusto Dias, nº 483 – Marabá Pioneira (na rua da Clínica Odontológica Novo Sorriso)
Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Bela Vista: Endereço: Av. Marabá, nº 42 – Jardim União
Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Rio Tocantins: Endereço: Rua São Benedito, nº 46 – Bairro São Félix I (próximo ao Supermercado Abaeté)
Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Morada Nova: Endereço: Av. Araguaia, nº 326 – Morada Nova (próximo à penúltima parada de ônibus de Morada Nova)
Violação de Direitos Humanos – 100
Central de Atendimento à Mulher – 180
Disque Denúncia – 94 3312-3350 ou 181
Polícia Militar – 190